SOAL 2016- Arte que reflete seu tempo

SOAL 2016- Arte que reflete seu tempo

soal2015 com corte

O artista, preocupado em transcender sua humanidade, com frequência fala ao coração dos homens sobre a miséria e a grandeza de sua condição humana, sobre glórias e problemáticas de sua época. Arriscaria dizer que, toda obra de arte, quanto mais traduz nossas realidades mais íntimas, mais importante se torna aos nossos olhos.


A arte deste nosso novo século esta só começando, mas mostra que a ditadura das escolas de arte cedeu passagem para- assim como os movimentos que chacoalharam a virada do século 19 para 20- nos mostrar que existem novas linguagens emergindo, e mesmo que se utilizando de antigos meios, se fazendo valer dos novos recursos.
A mudança da era moderna para a era tecnológica da Informação e Comunicação leia-se,
Contemporânea, proporcionou mudanças significativas no campo da cultura e das artes,
embora a Arte Contemporânea ainda abrigue diversos valores da Arte Moderna, fusionou e, portanto, diluiu fronteiras entre as diferentes formas de se expressar pela arte.

Produzindo arte, ao mesmo tempo em que refletindo sobre ela mesma, a Arte Contemporânea rompeu com alguns aspectos da Arte Moderna, abandonando diversos paradigmas, trazendo novos valores para a constituição de outra mentalidade, ao mesmo tempo em que abrindo espaço para a diversidade de estilos, perspectivas, técnicas e pela abrangência das linguagens artísticas.
Esta ruptura, se de um lado nos brinda com um universo menos ditatorial, muito mais rico e amplo, de outro abriu uma brecha sem precedentes na história para toda sorte de aventureiros dispostos a fazer arte.

Através da popularização da arte como veículo de comunicação, quando a arte passa a ser produto da sociedade de informação, aderindo às novas tecnologias e as novas mídias, o que vemos como saldo é uma profusão indiscriminada de imagens pretensiosamente qualificadas como arte, onde o espectador já perdeu há muito tempo as ferramentas para discernir o que é ou não, afinal, arte.
A interação do espectador com a arte, ferramenta valiosa conquistada pela Arte Contemporânea, se dissolveu, diante da subjetividade, efemeridade e liberdade artística próprias de nosso tempo.

A qualidade perdeu sua importância. Temos artistas demais, e arte de menos.
O Salão de Outono da América Latina, em sua 4° edição, tem por fundamento e princípio
apresentar uma amostra do momento atual das artes na América Latina e no Mundo.

Após um criterioso processo seletivo, onde a preocupação maior do júri foi fazer justiça a todas as formas de expressão nas artes visuais, o que constatamos é a incidência de um olhar comum: Vivemos num momento de “Desencantamento do Mundo” , e ao artista já não parece mais caber o papel de transformar a realidade mas, de refletir sobre o aqui, agora. Se de um lado, a Indústria Cultural foi a principal responsável em difundir e resignificar a arte enquanto fator de transformação social, de outro ela também foi responsável pela alienação promovida pela destituição da arte de seu papel transformador.

Gostaríamos de registrar aqui, mais uma vez, nossos mais sinceros agradecimentos aos
nossos parceiros da Fundação Memorial da América Latina que, acreditando na importância da continuidade de nosso Salão, pela terceira vez abre suas portas e seus braços para nos acolher na figura de seu Presidente, João Batista de Andrade; de seu Diretor Cultural, Luis Avelima; e de sua gerente de programação Adriana Beretta.

Três anos após sua primeira edição, o Salão de Outono da América Latina já é visto como uma das importantes exposições internacionais de artes visuais de São Paulo.
Obrigado aos artistas, este Salão existe por vocês e para vocês.
Mais uma vez, brindemos à arte em todas as suas formas de expressão.

Claude Martin Vaskou e Eliana Minillo
Curadores do SOAL 2016

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