Walter Lewy – Testemunha do sonho e do caos

Walter Lewy – Testemunha do sonho e do caos

Lewy
Walter Lewy (1905-1995) -Pintor, gravador, ilustrador e desenhista, Walter Lewy nasceu em Oldesloe, no norte da Alemanha. Estudou na Escola de Artes e Ofícios de Dortmund onde começou sua carreira e integrou o movimento do realismo magico de Otto Dix.
Foge da Alemanha em pleno nazismo, chegando ao Brasil em 1937, encontra aqui um pais jovem e um meio artistico em plena ebulição. Acolhido pelo pintor Francisco Rebolo e por Clovis Graciano, num primeiro momento rende-se ao abstracionismo, mas rapidamente sua obra se aventura através de um surrealismo muito particular, e é através deste surrealismo que ele seguira até sua morte em 1995, sendo seu principal representante no Brasil. Na VIII Bienal de São Paulo, em 1965, foi convidado especial da sala: “Surrealismo e Arte Fantástica”, organizada por Félix Labisse. Prëmio Pintor do Ano, pela Associação Brasileira dos criticos de Arte-ABCA, em 1976.
Sua arte, se de um lado carregava os valores adquiridos na Alemanha, seu pais de origem, de outro, foi significativamente influênciado do Brasil que o acolheu. O longo percurso artístico de Walter Lewy, da Alemanha à permanência por mais de 50 anos no meio artístico de São Paulo, sua extensa produção pictórica e sobretudo sua alta qualidade, são comparáveis às dos grandes pintores do surrealismo como René Magritte, Max Ernst e Yves Tanguy.

Lewy 2

[…] Um pintor brasileiro com alma de cavaleiro. Sempre sedento da Aventura artístico surrealista, não sem medo e crises, com seus gostos, suas rejeições; seu medo de errar e sua coragem de continuar um percurso que tem como ponto de referência a pintura surrealista européia, onde ela é equivalente – sem ser entretanto uma copia. Por trás de sua vida reclusa, segue sua procura pelo Santo Graal do século XX. Se propaga portanto um épico, misturado com ficção cientifica. Se recusando a sacrificar suas lendas, ele inventa novas com orgulho, para sempre retomar as armas e encontrar a direção do vôo do passaro: corvo branco, coruja diurna, não importa. Walter Lewy passou pelas fronteiras do tempo com idealismo e na solidão a fim de se lançar repetidamente no caminho.
Munido de uma verdadeira fé em sua pintura, insensivel aos barulhos dos tempos, Walter
Lewy não se deixou levar pelo culto de ego. Não se refugiando jamais nele mesmo, mas
abraçando o mundo, recusa à si mesmo a melancolia. Sua pintura morde o futuro, buscando asilos de luz. Sua arte, reflete bem os sonhos e o caos.
Na Europa, sua obra continua desconhecida, mesmo após o empenho de Claude Martin
Vaskou, que ha alguns anos promove seu resgate. Sem duvida alguma, se Steve et Chiara
Rosemblum, casal de colecionadores franceses, tivessem conhecido sua obra, teriam um
Walter Lewy sobre sua lareira. […]

por Jean-Paul Gavard-Perret- professor da Universidade de Savoia

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